Sunday, March 24, 2013

Tu estás aqui by Ruy Belo



voices: Chris J Gauthier and Sofia Saldanha
music: Tessera (Auxillu) / CC BY-NC-ND 3.0



Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem
                                                                                                    o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou
                                                                                                  outra coisa
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso 
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
                                                                                        que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
                                                                                        outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto 
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto 
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos 
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como
                                                                                                   a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui 
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui



Ruy Belo
Toda a Terra
Todos os Poemas
Assírio & Alvim
2000


Monday, April 09, 2012

Wednesday, April 04, 2012

Monday, February 13, 2012

Monday, February 06, 2012

Wednesday, February 01, 2012

Tuesday, January 24, 2012

Monday, January 16, 2012

Monday, January 09, 2012

Sunday, January 08, 2012

Saturday, January 07, 2012

Wednesday, January 04, 2012

Tuesday, January 03, 2012

Monday, January 02, 2012

Tuesday, July 05, 2011

Yamamoto's Waves





"A silk dress with a bamboo crinoline hangs upside down over a lake in the center of a former power station. The dress' reflection, distorted by a boat's oar, depicts something ethereal, something "other,” something that though once a wedding dress, here becomes genderless. Those who experience Yohji Making Waves at the Wapping Project in London, part of a London-wide commemoration of Yamamoto’s 30 years in Europe, are invariably humbled. As one of the boat rowers around the makeshift lake tell us in this piece, the scene brings to mind the River Styx. This shrine-like space was engendered with further meaning when it opened as the 9.0 magnitude earthquake hit the coast off of Japan in late March. Sofia Saldanha communicates this added immediateness with this piece, pairing reflections from the oarsmen and the director of the Wapping project to affecting ambient noise." Sukey Bernard, The [Un]Observed

Produced by Sofia Saldanha



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Sunday, November 14, 2010

The Sleeping Fool

Cecil Collins

The Sleeping Fool 1943

Art museum security guards spend their days in uniform, speaking quietly or not at all, surrounded by works of irreplaceable art.

It may look easy, but the job requires a stressful degree of responsibility, poise, and silence. Some guards may begin to feel trapped inside their own thoughts, or even inside a painting. The Sleeping Fool presents the stories, dreams and thoughts of those who work behind the walls of an art gallery.

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For the documentary The Sleeping Fool, Sofia Saldanha won the Best New Artist Award in the 2010 Third Coast / Richard H. Driehaus Foundation Competition.The story was produced in 2009 for Goldsmiths College, Master of Arts degree.


Produced by Sofia Saldanha